terça-feira, 1 de março de 2011

O Imortal Kalymor: DEUS, POR MALBERON. INTERLÚDIOS, PARTE 3


Obviamente não retornei às escadarias para deixar o prédio, confiei cegamente em meu julgamento, mesmo porque era incoerente negá-lo devido a um espectro ocasional, que eu nem ao menos sabia por que me seguia por tanto tempo. E também não poderia abandonar o vampiro, agora que sabia de seu antro.
Ignorando o menino, me aproximei da porta. Poucos trincos me traziam alguma dificuldade. Destravei-o furtivamente e me deparei com uma sala que, na verdade, era um enorme aposento, com finas delimitações entre um cômodo e outro. Tinha um padrão rústico, com tons amarronzados nas paredes e móveis antigos. Nos cantos, estátuas de muitas culturas dividiam lugar com armaduras medievais. As divisórias eram poucas e serviam mais para sustentar estantes com artefatos e objetos inúmeros de marfim ou outro material. Cortinas transparentes desciam do teto e formavam uma decoração que lembrava muito a casa de um sultão. Almofadas vermelhas se amontoavam ao redor de diversas camas espalhadas pelo chão. O ambiente inteiro era iluminado fracamente por velas, em belíssimos e bem trabalhados castiçais. Nada, no local, combinava com o estilo que o jovem ostentava, pois trajava roupas próprias para sua idade aparente, com calça rasgada e jaqueta surrada pelo tempo de uso. Aquela, certamente, não deveria ser sua morada, mas constatei que era a de um vampiro e, provavelmente, de um antigo, a julgar pelos pertences. E por grossas e pesadas cortinas que ocultavam as janelas, não condizentes com o estilo da época.
Agora, sim, eu havia ficado um pouco inquieto. Inevitavelmente pensei no pequeno Doug, mas eu já estava ali dentro. Somente poderia manter-me firme, aguardando algum acontecimento. Apenas observando todos os detalhes.
Havia, em uma estante, quase no centro da sala, um objeto velho e desgastado. Parecia um cálice, mas não era de maneira alguma valioso ou sequer belo. Constatei ser muito antigo e, somente por isso, atentei meus olhos. Em cima da estante, ao redor dele, havia diversos mantos e páginas soltas com dizeres em dialetos já esquecidos. Aproximei-me, tomado de uma curiosidade estranha, desejando com afinco saber de que se tratava. Tomei o objeto em minhas mãos, num resquício de instinto humano, como se ainda pudesse contar com o auxílio do tato para identificar algo através da análise de sua textura, peso e outras peculiaridades. E no exato momento em que notei o que era, uma voz tomou o ambiente. Uma voz conhecida, que eu temia um dia reencontrar:

_O Santo Graal! A peça genuína, tenha certeza. _Falou, calmamente... Malberon!


CONTINUA...

Nenhum comentário:

Postar um comentário